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Mauricio Queiroz
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20/fev/2019 Maior centro cultural em área coberta do mundo é criado em Taiwan Post por: Administrador

O Centro Nacional de Artes Kaohsiung, em Taiwan, se destaca por sua presença colossal e formato arrojado.

Algumas pessoas aqui dizem que ele se parece com uma espaçonave. Outras acham que lembra uma arraia gigante.

Um ponto, porém, não é contestado. Com a aparência inspirada nas árvores banyan e na indústria de navios local, o centro de artes elevou o prestígio cultural desta cidade do sul taiwanês, proporcionando aos residentes um espaço público popular.

O centro de artes performáticas, conhecido como Weiwuying por causa do parque que o circunda, é o maior do mundo em área coberta. A instalação de US$ 348 milhões foi inaugurada em outubro com shows internos e ao ar livre, sinalizando sua chegada como um novo destino de apresentações de classe mundial em Kaohsiung, há muito tempo ridicularizada pelos taiwaneses como sendo um “deserto cultural”.

A inauguração marcou a transição do local, que na época do controle colonial japonês em Taiwan era uma base militar. Depois da Segunda Guerra Mundial, foi ocupado pelo Kuomintang de Chiang Kai-shek. Hoje, o centro de artes de 139.355 metros quadrados fica na extremidade norte do Parque Municipal de Weiwuying, inaugurado em 2010 e que tem aproximadamente um sétimo do tamanho do Central Park.

Quem visita Kaohsiung pode equivocadamente pensar que o centro de artes tem sido parte da vida local por causa da maneira como os residentes o abraçaram tão abertamente. Na parte da manhã, as pessoas praticam ioga em seus colchonetes, enquanto outras correm pela Banyan Plaza, a praça coberta do edifício, que liga as quatro alas: uma casa de ópera de 2.236 lugares, uma sala de concertos para 1.981 pessoas, um teatro de 1.210 assentos e uma área de recitais com 434 lugares.

Filmes são exibidos na praça, e atividades públicas gratuitas, como aulas de dança e aulas de artes marciais para as crianças, são realizadas lá. Dentro do edifício, os moradores têm acesso a exposições gratuitas; a atual destaca a evolução da ópera taiwanesa. Com um exterior e interior dignos do Instagram, há gente fazendo selfies por todos os lados.

“O edifício convida você a usá-lo, atuando como uma extensão do parque e da cidade”, disse Francine Houben, projetista do edifício e diretora criativa da empresa de arquitetura holandesa Mecanoo. “Gosto de chamá-lo de a sala de estar de Kaohsiung.”

A primeira temporada de apresentações no centro de artes teve uma frequência média superior a 80 por cento. Muitas performances, incluindo a inauguração da casa de ópera em dezembro, com o Cloud Gate, grupo de dança taiwanês mundialmente famoso, tiveram seus ingressos esgotados rapidamente.

Para a grande inauguração em outubro, milhares de pessoas assistiram a uma performance especial em um terraço onde o telhado com aparência de dossel desce até o chão, criando um anfiteatro. Ele se tornou um lugar popular para os moradores se sentarem e admirarem o pôr do sol.

No dia da inauguração, o presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, falou durante a dedicação do edifício, elogiando-o como um exemplo de “democratização do espaço” em Taiwan, que liberalizou seu sistema político na década de 1990, após quatro décadas de lei marcial.

“O estabelecimento de um centro de artes aqui simboliza o fim da lei marcial e nossos esforços para promover uma maior acessibilidade cultural”, disse Tsai a uma sala de concertos lotada.

E não é de surpreender que a área em torno do centro de artes Weiwuying tenha se tornado uma estrela em ascensão no mercado imobiliário da cidade. Os preços dos imóveis ao redor do parque e do centro de artes subiram de 15 a 20 por cento nos últimos dois anos, disse Alex Kuo, diretor de uma filial da imobiliária Yung-Ching.

“Quando a construção do centro de artes Weiwuying foi concluída, as incorporações residenciais sofisticadas começaram a vir para a área. Se os apartamentos mais velhos eram normalmente vendidos por cerca de US$ 3 mil o pé quadrado, as construções mais novas custam agora mais de US$ 9 mil por pé quadrado.” [Isso equivale a US$ 32.292 por metro quadrado para as unidades mais velhas e US$ 96.875 por metro quadrado para as mais novas.]

Os novos e luxuosos prédios de apartamentos que começam a surgir nas imediações contrastam com a estética da classe trabalhadora do centro de artes Weiwuying. Houben e sua equipe da Mecanoo a princípio tiveram dificuldade de projetar o exterior perfeito para o grande espaço, mas finalmente se inspiraram na identidade marítima da cidade – há duas décadas, era o terceiro porto mais movimentado do mundo.

“Tentamos várias opções sem sucesso. Continuamos nossa busca até que surgiu a ideia de usar as técnicas da indústria naval de Kaohsiung”, contou ela.

Vender a ideia de fazer um centro cultural moderno de milhões de dólares que tivesse um exterior similar a um navio cargueiro, em vez de algo cheio de vidro e aço, foi difícil. Seu projeto moderno reflete o constante afastamento de Taiwan do design em estilo chinês pós-democratização, um sinal da mudança de identidade aqui, da chinesa para a taiwanesa.

“Tivemos de convencer a todos de que o Banyan Plaza deveria ter o aspecto de um navio cargueiro, e não de um iate de luxo. Não queríamos uma fachada perfeitamente lisa. Quisemos empregar os construtores de navios para fazer o que fazem melhor – criar um exterior durável, em uma escala que intimidaria alguns construtores”, disse Houben.

Os quatro salões de apresentações foram projetados para acomodar artistas de classe mundial, como a Orquestra Filarmônica de Londres, que tocará lá em março. Em abril, a Deutsche Oper am Rhein apresentará “Turandot”, de Puccini.

A Mecanoo trouxe um consultor de teatro para se certificar de que tanto a forma quanto a função receberiam atenção total. A acústica da sala de concertos, a primeira de Taiwan com assentos dispostos em 360 graus, faz com que as apresentações no espaço imenso pareçam enganosamente íntimas. Por exemplo, o projeto assimétrico da sala de recital facilita a visualização das mãos do pianista.

“O princípio de design que Francine trouxe para Weiwuying visa aproximar as pessoas das artes, e umas das outras”, disse Chien Wen-pin, diretor executivo e artístico do centro de artes, posição que assumiu depois de ser diretor da Deutsche Oper am Rhein em Düsseldorf por 22 anos. Nativo de Taipei, capital de Taiwan, ele foi convencido a retornar a seu país em 2013 pelo ministro da Cultura da ilha, Lung Ying-tai.

Chien elogiou a versatilidade dos palcos e espaços de performance nos quatro salões do centro artístico, que ele espera que permita aos artistas rever sua arte.

“Queremos que os artistas venham e sintam e criem para si mesmos. Queremos que criem um novo trabalho”, disse ele.

O centro de artes em Weiwuying parece ter começado com tudo: teve 800 mil visitantes em suas primeiras nove semanas após a inauguração, e apresentações maiores atraíram público também de cidades do norte, além de lugares mais distantes, incluindo Japão, Hong Kong e Singapura.

Além disso, o espaço parece estar sendo bem recebido até por aqueles que não têm um interesse particular nas artes. Chen Hsiao-li, residente de Kaohsiung e proprietário de uma pequena loja que vende nozes e bebidas geladas perto de Weiwuying, disse achar que o centro de artes ajudará a revitalizar a vizinhança.

“Não sou realmente o tipo que vai ao teatro, mas minha filha é, por isso é bom que ela tenha um lugar para isso. De resto, acho que vai trazer mais gente para Kaohsiung e mais negócios para esta parte da cidade.”

Confira as imagens: 

Fonte: Exame.com


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